BASE DO GOVERNO EDUARDO LEITE (PSDB) FAZ MANOBRA E CONGELA O PISO MÍNIMO REGIONAL

Cerca de 1,3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras que ganham menos no Rio Grande do Sul não terão reajuste de salário em 2020

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Em uma manobra sorrateira da própria base de apoio de Eduardo Leite, foi alterado o texto da proposta apresentada em Fevereiro deste ano que previa a reposição da inflação, que seria de 4.5% para aquele período.  A base governista apresentou uma emenda que alterou a proposta original, e por 34 votos a 11, congelou o Salário Mínimo Regional.

Com isso, agora os trabalhadores que tem seu salário balizado pelo Piso, acumulam uma perda de 7.4% de desvalorização.

Sérgio Turra (PP) resumiu bem o pensamento dos parlamentares que eram a favor do reajuste zero: “O momento é de garantir os empregos”. Por outro lado, Pepe Vargas (PT) foi claro: com o reajuste do salário-mínimo regional, o poder de compra dos trabalhadores se manteria em um patamar mais elevado, o que acabaria aquecendo a economia – visto que as pessoas que recebem o piso costumam gastar todo o salário no comércio local. Se a população tiver menos dinheiro para consumir, o comércio tende a vender menos, porque as pessoas compram menos ou deixam de comprar: “Nenhum empresário vai investir se não tiver a expectativa de vender. Como hoje vende-se pouco, porque o poder de consumo está baixo, não há estímulo para investimentos. Isso leva a uma depressão da economia, a economia gaúcha não se recupera”, defendeu.

Com a votação dos deputados gaúchos, o Rio Grande do Sul é o único dos três estados do Sul que congelou o reajuste em 2020. Santa Catarina aprovou aumento de 4,96% e o Paraná, de 5,86%. São percentuais maiores que o aplicado no mínimo nacional, também corrigido. As cinco faixas do piso regional no RS permanecem entre R$ 1.237,15 e R$ 1.567,81.